15jun/21

O brasileiro que virou referência em antropologia da informática nos EUA para ter impacto maior no Brasil

Na série ‘Trabalhar no exterior’, o Guia de Carreiras do G1 entrevista brasileiros que fizeram a graduação no país, mas hoje seguem carreira em outras partes do mundo. Conheça a história do capixaba David Nemer, professor da Universidade do Kentucky.

Hoje com 33 anos, David Nemer é referência em antropologia da informática, que estuda como a tecnologia transforma comunidades. Autor do livro “Favela digital”, ele já realizou projetos com Google, Microsoft e Intel, e viu sua pesquisa sobre internet em Cuba virar política pública neste mês. Mas, quando era apenas vestibulando no Espírito Santo, tinha mais dúvidas do que certezas em relação à carreira que queria seguir. Tanto é que acabou começando – e terminando – duas faculdades ao mesmo tempo.

(David Nemer é o primeiro entrevistado na série “Trabalhar no exterior”, do Guia de Carreiras do G1, que mostra a trajetória e as dicas de quem fez a graduação no Brasil e hoje segue carreira de sucesso no exterior.)

Graduado em ciências da computação pelo Centro Universitário Faesa e em administração pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), o capixaba mora desde 2010 em Lexington, nos Estados Unidos, onde é professor titular na Universidade do Kentucky.

David Nemer é formado em administração e ciências da computação no Brasil, e hoje pesquisa a antropologia da informática nos Estados Unidos — Foto: Fabio Tito/G1

“Resolvi fazer as duas pra ver. Uma hora ia ter que escolher uma. Foi passando o tempo, foi passando o tempo, não consegui escolher uma, quando fui ver já estava escrevendo uma monografia pra cada, e consegui me formar nas duas”, disse.

Ele afirma ainda que, quando saiu do país para continuar os estudos, já imaginava que não retornaria.

“Não sabia que acabaria como professor”, disse Nemer. “Mas eu sabia que queria ficar fora. Aqui eu consigo realmente ter acesso a empresas para justamente continuar minhas pesquisas no Brasil, para ter um impacto maior no Brasil. Eu não acho que eu teria a capacidade de mudança que eu já tive se eu tivesse ficado no Brasil.”

Dicas de David Nemer para seguir carreira acadêmica no exterior:

  • Fazer iniciação científica na graduação
  • Participar de atividades extracurriculares na graduação
  • Investir no aprendizado do inglês, de preferência incluindo um intercâmbio
  • Pesquisar bastante por programas de pós-graduação
  • Manter alta produtividade acadêmica

Habilidades necessárias para morar fora, segundo ele:

  • Capacidade grande de resolução de problemas, para começar uma vida do zero sem contatos a quem pedir favores
  • Independência e autonomia para lidar com a ansiedade social, conseguir fazer amigos e lidar com a saudade

Da esquerda para a direita, David Nemer em suas formaturas do ensino médio (no intercâmbio nos EUA), na graduação no Brasil, no mestrado na Alemanha e no doutorado nos EUA — Foto: Arquivo pessoal/David Nemer

A importância da iniciação científica

Nemer colou grau nos dois cursos em 2006, mas seu planejamento de carreira profissional começou a ser moldado no meio da faculdade, quando ele descobriu a vontade de seguir dentro do meio acadêmico e o interesse por estudar no exterior.

“Eu já estava com essa vontade de morar fora justamente para ter uma experiência. Também pela questão da valorização que as universidades estrangeiras sempre tiveram. E para ter algum tipo de conhecimento novo, acesso a coisas novas que no Brasil não tinha.”

O que fez diferença na carreira de Nemer não foram as aulas da graduação, mas sim os dois projetos de iniciação científica nos quais ele se envolveu durante o curso de ciências da computação. Não só para dar um “gostinho” da vida acadêmica ao então estudante de graduação, mas também para incrementar seu currículo.

“Acho que nota sempre vai ajudar, mas o que conta mesmo são as atividades extracurriculares que você engaja.” – David Nemer

Além dos projetos de pesquisa, ele também participou de projetos de inclusão digitais vinculados à Faesa. “A gente ajudava comunidades carentes, dava aula de computação básica, e eu também fazia monitoria para ajudar os alunos. Essas atividades que despertaram mesmo o interesse do pessoal. Ao olharem meu currículo, viram que eu poderia ser um candidato forte a fazer um mestrado lá fora.”

Nemer ensina fotografia a crianças de morro em Vitória durante pesquisa para seu livro ‘Favela digital: o outro lado da tecnologia’ — Foto: Arquivo pessoal/David Nemer

Mestrado na Alemanha

Os Estados Unidos eram a primeira opção para o capixaba, que foi intercambista no ensino médio em Indiana. Mas, durante a pesquisa que fez atrás de universidades e programas de pesquisa, uma questão o demoveu da ideia de fazer o mestrado lá: dinheiro.

“Nos Estados Unidos o mestrado é pago e é caro”, disse ele. Os custos estimados variam entre 60 mil e 75 mil dólares. “Aí eu vi na Europa onde o mestrado é de graça.” Nemer acabou escolhendo a Alemanha que, segundo ele, é o segundo país mais forte na área da computação, que ele decidiu seguir.

A outra vantagem era o fato de que o mestrado era em inglês, língua que ele já dominava – apesar da exigência de completar e ser aprovado em um curso básico de alemão.

A pós-graduação em engenharia de software que ele começou na Universidade Saarland, na cidade de Kaiserslauten, não incluía bolsa de estudos ou ajuda de custo. Entretanto, a vaga vinha atrelada a um emprego remunerado como pesquisador no Instituto Fraunhofer.

Mesmo com essa garantia de que poderia pagar para viver na Europa, ele vendeu o carro e usou as economias do Brasil e se mudou para a Alemanha com um visto de estudante que permitia trabalhar em sua área de estudo, desde que mantivesse o vínculo universitário.

David Nemer durante sua temporada em Kaiserslautern, na Alemanha, onde ele fez mestrado em engenharia de software — Foto: Arquivo pessoal/David Nemer

Mudança de foco no doutorado

O mestrado em engenharia de software, porém, deixou o brasileiro desiludido, já que o aprofundamento era muito mais na parte técnica, e Nemer se interessava mais pela inclusão digital que ele viu na graduação. Esse impasse ele resolveu na etapa seguinte de sua carreira, onde teve a oportunidade de escolher entre ir direto para o mercado de trabalho ou se manter dentro do âmbito acadêmico.

“Vi que ali eu não queria continuar. Então vi no doutorado a oportunidade de mudar de campo um pouco e focar em uma coisa que eu gostasse mais”, explicou ele, que começou a buscar programas de PhD nos Estados Unidos. Diferentemente no nível de mestrado, as vagas no doutorado, nos EUA, costumam vir atreladas a uma bolsa de estudos ou a um trabalho de assistente de um professor nas aulas ou no laboratório.

Foi assim que, em 2010, o capixaba desembarcou novamente no estado de Indiana, onde fez intercâmbio. “Fiz o doutorado no departamento de informática, o foco mesmo era na antropologia da informática.”

Desde que os Estados Unidos anunciaram uma nova política diplomática com Cuba, Nemer tem ido à ilha caribenha uma vez por ano observar como a tecnologia tem alterado a vida dos cubanos — Foto: Arquivo pessoal/David Nemer

76 candidatos para a vaga de professor

O passo seguinte na carreira de Nemer foi uma combinação dos anos de preparação e um golpe de sorte. Em 2015, quando terminou seu PhD, o brasileiro começou a enviar seu currículo para vagas de professor em universidades americanas. Segundo ele, o processo para trabalhar em universidades públicas é distinto: “É como se você fosse mandar currículo para uma empresa. Não existe concurso.”

Mesmo assim, as instituições têm processos seletivos transparentes. Por isso, ele sabe que, para a vaga de professor no departamento de informática da Universidade de Kentucky, um total de 76 candidatos tentaram ser contratados. No fim, a instituição optou pelo brasileiro.

O motivo, segundo ele, foi o interesse da universidade em ter um professor que pesquisasse a área de antropologia da informática. Em seu currículo, além do doutorado, Nemer também tinha uma série de produções acadêmicas, inclusive a publicação do livro “Favela digital”, que fez parte de sua pesquisa sobre desigualdade social no Espírito Santo.

“Quando entrei como professor nem precisei fazer um pós-doutorado”, explicou ele. “Muita gente não consegue vaga de professor, logo em seguida eles fazem um pós doutorado para ver se conseguem mais publicações, para depois tentar uma vaga de professor.”

As vantagens e desvantagens de morar fora

Entre a Alemanha e os Estados Unidos, David afirma que morar na América do Norte é mais fácil para um brasileiro, tanto pela facilidade linguística maior com o inglês quanto pela abertura dos americanos, que é um pouco maior do que a dos alemães.

Mas ele nega o senso comum de muitas pessoas que, segundo ele, acham que morar fora é ter uma vida fácil. “É pesado. Os Estados Unidos são muito orientados ao trabalho. Aqui não tem férias, pela lei não tem licença-maternidade, depende muito das empresas”, explicou ele.

Além disso, ele afirma que começar uma vida sozinho em outro país exige um grande esforço de independência para lidar com a saudade, para fazer amigos e para resolver problemas sem contar com favores.

“Já ‘morri’ muito de saudades nos primeiros anos na Alemanha. Apesar de a saudade não diminuir, a gente aprende, a gente amadurece. O que muda é como a gente gerencia a saudade. Mas se for aquela saudade à flor da pele, a gente não vive aqui. Não tem como gerenciar duas vidas, uma aqui e outra no Brasil.”

David Nemer ao lado da irmã, da mãe e do irmão no dia em que conquistou o título de PhD pela Universidade de Indiana, nos Estados Unidos — Foto: Arquivo pessoal/David Nemer

O Brasil lá fora

Apesar de viver em uma cidade nos Estados Unidos onde encontra poucos brasileiros (principalmente quando vai à churrascaria local), o capixaba diz que não sofre muita falta de produtos da terra natal porque a comunidade brasileira é grande. Além do churrasco, ele também citou o açaí congelado que consegue comprar por lá.

Mas não é só nas refeições que ele se mantém próximo do Brasil: Nemer dedica sua pesquisa também para a promoção de melhorias no acesso e desenvolvimento de tecnologias nas comunidades brasileiras.

“Eu tenho isso como dever. Por exemplo, trazer o Brasil para a literatura principal do meu campo. O Brasil ainda é mal representado nos estudos de tecnologia e ciência. Então esse é um dos meus objetivos, de manter o Brasil como meu campo de pesquisa, e até também para trazer uma mudança”, afirmou o pesquisador.

Um dos feitos dele foi convencer o Google a focar somente no Brasil uma pesquisa que seria mundial sobre o assédio que as mulheres sofrem nas redes sociais. Um dos produtos da pesquisa, dirigida por Nemer, foi a criação de um “botão do pânico” em aplicativos que o Google vendeu para o Uber, e que atualmente está em fase de testes.

“Como estou focado na mudança social, focado nas desigualdades digitais, eu pretendo sempre trazer empresas interessadas a fazerem pesquisas, ou então o próprio desenvolvimento tecnológico para abordar esses problemas”, explicou ele, que acabou virando referência na área.

fonte: https://g1.globo.com/educacao/guia-de-carreiras/noticia/2019/01/11/o-brasileiro-que-virou-referencia-em-antropologia-da-informatica-nos-eua-para-ter-impacto-maior-no-brasil.ghtml

15jun/21

Trabalhar fora do país ‘não era o foco’, diz brasileira que fez carreira em 6 países e virou CEO no Chile

Na série ‘Trabalhar no exterior’, o Guia de Carreiras do G1 entrevista brasileiros que fizeram a graduação no país, mas hoje seguem carreira pelo mundo. Conheça a história da administradora de empresas Patrícia Capel, que já morou em seis países de três continentes diferentes desde 2004.

A administradora de empresas Patrícia Capel, de 46 anos, não pode dizer que trocou de emprego várias vezes, mas ela está há tanto tempo trabalhando na mesma empresa que já mudou de cargo – e país – em diversas ocasiões. Desde a graduação na FEA-USP até os cargos no exterior, Patrícia aprendeu a ponderar cada passo e o momento certo de investir na carreira e na formação.

(Patrícia é a segunda entrevistada na série “Trabalhar no exterior”, do Guia de Carreiras do G1, que mostra a trajetória e as dicas de quem fez a graduação no Brasil e hoje seguem carreira de sucesso no exterior.)

Casada com um francês que a acompanha pelo mundo em cada transferência internacional a trabalho, Patrícia teve o primeiro filho na Rússia e o segundo nos Estados Unidos. Desde setembro, a família se mudou para a América Latina, onde ela é atualmente a CEO para Chile, Bolívia e Paraguai da AB Inbev, conhecida no Brasil como Ambev.

Em 1996, quando Patrícia ingressou na empresa, ela ainda se chamava Companhia Cervejaria Brahma. Hoje, o ramo continua o mesmo – é uma cervejaria –, mas o nome oficial mudou depois de uma série de fusões.

Naquela época, ela tinha apenas três anos de formada, depois de conseguir o diploma da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA-USP). Já tinha passado por duas grandes multinacionais antes da cervejaria, mas não pensava especificamente em buscar uma carreira no exterior.

“Eu sempre quis ter uma carreira bacana, trabalhar num lugar onde eu pudesse crescer, aprender. Quando comecei a minha carreira, pra mim, morar fora não era o objetivo principal, mas não era uma barreira”, explicou ela ao G1, por telefone, desde Santiago do Chile.

“Pensava assim: se morar fora significar crescimento de carreira, uma experiência bacana, eu topo. O fato de que eu gostava muito de viajar ajudava, mas tem que ter um sentido.” – Patrícia Capel

Patrícia durante visita à cervejaria da Ambev na Bolívia — Foto: Arquivo pessoal/Patrícia Capel

São Paulo – Lages – Canadá

Antes de se mudar pela primeira vez a trabalho, a paulistana Patrícia só havia morado fora de São Paulo uma vez, quando criança, quando passou alguns anos em Campinas.

Mas ela não negou a oportunidade quando a Ambev decidiu enviá-la para Lages, em Santa Catarina, onde ela exerceria o cargo de gerente da fábrica local da empresa. Segundo ela, a ideia era ganhar experiência em uma área de atuação voltada à parte “interna” da empresa, já que antes, nos setores de relações com investidores e tesouraria, ela se dedicava mais para observar o mercado.

Do Sul do Brasil, Patrícia logo foi enviada à América do Norte para coordenar, no Canadá, uma das frentes financeiras da integração entre a Ambev e a Interbrew. Desde essa mudança para fora do Brasil, em 2004, ela nunca mais voltou a morar no Brasil, mas visita o país pelo menos uma vez por ano.

Patrícia com o primeiro filho, que nasceu em Moscou, no jardim do condomínio em que moraram na Rússia — Foto: Arquivo pessoal/Patrícia Capel

A carreira e a vida pessoal

Do Canadá, a administradora foi transferida para Bruxelas, Moscou, Nova York, Londres e, agora, Santiago do Chile. Porém, ela afirma que só topou todas as oportunidades de mudança depois de ponderar se aquele passo fazia sentido para suas ambições pessoais.

“O mais importante para mim era ter uma carreira de sucesso em uma grande empresa”, explicou ela. Por isso, assumir cargos em outros países aconteceu como “continuidade” do trabalho que ela fez no Brasil.

De acordo com Patrícia, as mudanças eram menos complexas quando ela ainda não tinha uma família. “Eu fiz muitos movimentos ainda solteira”, conta ela. “Hoje, a minha vinda para o Chile veio com uma logística mais complicada. Tem que ver vaga na escola, as aulas começam no meio do ano…”

Por isso, a principal dica dela para quem quer seguir um caminho parecido na carreira e também quer ter filhos é procurar fazer essas movimentações antes de expandir a família.

“A pessoa precisa estar alinhada com a cultura da empresa, buscar crescer por meio do mérito, entregar os resultados. Tem que sempre fazer o melhor de si, aceitar os desafios, e sempre ter alguma ponderação se o próximo passo faz sentido.”

Esse equilíbrio, segundo ela, é o que garante que o desempenho no trabalho vai continuar alto. “Você tem que sempre estar feliz. Tem que ponderar para que tenha paz de espírito para fazer um trabalho bacana.”

No segundo semestre de 2018, Patrícia, em foto em Santiago do Chile, assumiu o cargo de CEO da Ambev no Chile, Bolívia e Paraguai — Foto: Arquivo pessoal/Patrícia Capel

Diversidade

Nova York foi a cidade onde ela passou mais tempo nos últimos 14 anos. Ela ficou seis anos lá. Depois de aceitar passar uma curta temporada em Londres, ela se mudou para o Chile com a intenção de também “sossegar” durante vários anos, enquanto os filhos crescem.

É a primeira vez que os dois vivem em um país que não é anglófono e, apesar de estudarem em uma escola internacional, eles agora aprendem o espanhol. Em casa, porém, só falam português com a mãe, e praticam francês com o pai, que tem o próprio negócio e pode trabalhar a distância, onde a família estiver.

Apesar da saudade dos amigos de longa data e do pão de queijo – primeiro item que ela compra no Aeroporto Internacional de Guarulhos, sempre que aterrissa no Brasil – Patrícia diz que ver os filhos crescerem em torno de uma grande diversidade de culturas é a melhor parte de sua carreira no exterior.

fonte: https://g1.globo.com/educacao/guia-de-carreiras/noticia/2019/01/18/trabalhar-fora-do-pais-nao-era-o-foco-diz-brasileira-que-fez-carreira-em-6-paises-e-virou-ceo-no-chile.ghtml

15jun/21

Saiba como conferir onde há menos fila antes de sair para tomar vacina contra Covid na cidade de SP

´Filômetro´, página criada pela gestão municipal, indica qual a situação da espera nos postos de vacinação. Segundo secretário municipal da Saúde, informações devem ser atualizadas a cada duas horas.

A Prefeitura de São Paulo lançou nesta terça-feira (15) o “De Olho Na Fila”, uma página online que mostra a situação de espera nos postos de vacinação contra Covid-19 que estão em funcionamento na capital.

Segundo o secretário municipal da Saúde, Edson Aparecido, o “Filômetro” (veja como funciona abaixo) é um recurso complementar ao sistema de escalonamento que começou a ser adotado nesta segunda-feira (14), com a vacinação de pessoas de 58 e 59 anos, e deverá permanecer até o dia 15 de setembro, quando está previsto o fim da aplicação de primeira dose no último grupo etário (entre 18 e 24 anos).

“É um serviço muito importante nesse momento em que a quantidade de pessoas a ser vacinada é muito grande”, disse Aparecido.

“Agora, é uma população economicamente ativa, então são pessoas que vão deixar de trabalhar um período para poderem se vacinar”, afirmou.

Como funciona o “Filômetro”?

1. Página principal

Ao acessar o “De Olho Na Fila“, os postos criados para auxiliar no processo de vacinação contra a Covid-19 estarão divididos nas categorias “Posto Volante”“Drive-Thru” e “Mega Posto”.

Já os “Postos Fixos” estarão subdivididos de acordo com a Coordenadoria Regional de Saúde – Centro, Leste, Norte, Oeste ou Sul.

2. Posto Volante, Drive-Thru e Mega Posto

Para saber a situação dos postos três categorias, basta clicar na de sua preferência e todos os endereços da modalidade aparecerão, acompanhados da situação em que se encontram as filas no local, o último horário em que a informação foi atualizada e uma classificação por cores, na qual “Verde” = sem filas, “Amarelo” = fila pequena, “Laranja” = fila média, “Vermelho” = fila grande e “Cinza” = dados indisponíveis.

"Filômetro" mostra estágio da espera por vacinação contra Covid-19 em posto volante da capital, na manhã desta terça (15) — Foto: Reprodução/ Prefeitura de SP

“Filômetro” mostra estágio da espera por vacinação contra Covid-19 em posto volante da capital, na manhã desta terça (15) — Foto: Reprodução/ Prefeitura de SP

De Olho Na Fila: alguns postos ainda não disponibilizaram informação sobre o ritmo de vacinação nesta terça-feira (15) — Foto: Reprodução/ Prefeitura de SP

De Olho Na Fila: alguns postos ainda não disponibilizaram informação sobre o ritmo de vacinação nesta terça-feira (15) — Foto: Reprodução/ Prefeitura de SP

3. Postos Fixos

Dentro de cada Coordenadoria Regional de Saúde (Centro, Leste, Norte, Oeste e Sul), aparecerão as Supervisões Técnicas de Saúde (STS) da cidade.

Ao clicar na STS desejada, todos os Postos Fixos de vacinação localizados na região aparecerão, acompanhados de endereço, situação da fila, horário da última atualização e classificação por cores, nas quais “Verde” = sem filas, “Amarelo” = fila pequena, “Laranja” = fila média, “Vermelho” = fila grande e “Cinza” = dados indisponíveis.

"Filômetro": Postos Fixos de vacinação foram classificados por Coordenadorias Regionais de Saúde da capital paulista — Foto: Reprodução/ Prefeitura de SP

“Filômetro”: Postos Fixos de vacinação foram classificados por Coordenadorias Regionais de Saúde da capital paulista — Foto: Reprodução/ Prefeitura de SP

"Filômetro": ao selecionar uma STS (Supervisão Técnica de Saúde) é possível ver todos os Postos Fixos de vacinação presentes na região — Foto: Reprodução/ Prefeitura de SP

“Filômetro”: ao selecionar uma STS (Supervisão Técnica de Saúde) é possível ver todos os Postos Fixos de vacinação presentes na região — Foto: Reprodução/ Prefeitura de SP

Vacinação na capital

Já foram aplicadas 5.648.085 vacinas na cidade de São Paulo, sendo 70,4% delas (3.974.273) referentes à primeira dose e 29,6% (1.673.812) à segunda. Para ter o esquema vacinal completo, é preciso que as pessoas tomem as duas doses do imunizante aplicado.

Calendário dos próximos grupos a serem vacinados na cidade:

  • 56 e 57 anos: quarta-feira (16)
  • 54 e 55 anos: quinta-feira (17)
  • 52 e 53 anos: sexta-feira (18)
  • 50 e 51 anos: sábado (19)
  • Todas as idades anteriores: segunda (21) e terça (22)
Prefeito Ricardo Nunes apresenta novo calendário de vacinação contra Covid-19 da capital paulista, nesta terça (15) — Foto: Reprodução/ TV Globo

Prefeito Ricardo Nunes apresenta novo calendário de vacinação contra Covid-19 da capital paulista, nesta terça (15) — Foto: Reprodução/ TV Globo

Antecipação no estado

Neste domingo (13), o governador João Doria (PSDB) anunciou antecipação da vacinação contra Covid em 30 dias e prometeu imunizar toda a população adulta até o final de setembro.

LEIA MAIS:

Como o cronograma de São Paulo considera, majoritariamente, as entregas programas pelo Ministério da Saúde, eventuais atrasos nas entregas ao governo federal podem afetar o calendário estadual.

O estado de São Paulo não informa quantas doses deve receber do governo federal no próximo mês, mas afirma que seu cronograma é feito com base em entregas programadas.

Nesta segunda (14) o Ministério da Saúde anunciou que a entrega de 3 milhões de doses da vacina da Janssen, que estava prevista para esta terça (15), seria adiada. Apesar disso, o ministro Marcelo Queiroga afirma que a remessa deve chegar até quarta (16). “Ainda não sei detalhes. Mas quarta deve chegar”, disse Queiroga.

fonte: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2021/06/15/veja-como-funciona-o-filometro-site-da-prefeitura-de-sp-que-aponta-onde-ha-menos-fila-para-vacinar-contra-covid-na-cidade.ghtml

15jun/21

Brasileiro é contratado pelo Spotify na Suécia após simular entrevista de emprego com colegas

Na série ‘Trabalhar no exterior’, o Guia de Carreiras do G1 entrevista brasileiros que fizeram a graduação no país, mas hoje seguem carreira em outras partes do mundo. Conheça a história do paraibano David Lino, desenvolvedor do Spotify na Suécia.

O desenvolvedor David Lino de Sousa preenchia todos os requisitos exigidos pelo Spotify quando recebeu uma oferta de emprego para trabalhar na sede da empresa, em Estocolmo, no fim de 2013. Além da graduação em ciência da computação pela Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), o paraibano também fez um mestrado focado na área de sistemas distribuídos, um ramo com demanda crescente no mercado. Tanto que, depois de recusar a oferta do Spotify em detrimento de outra, ele foi aceito novamente para a vaga do serviço de streaming de música, quando alterou os planos e decidiu se mudar para a Suécia.

(David Lino é o quarto entrevistado na série “Trabalhar no exterior”, do Guia de Carreiras do G1, que mostra a trajetória e as dicas de quem fez a graduação no Brasil e hoje seguem carreira de sucesso no exterior. Veja outras histórias ao fim da reportagem.)

Segundo Lino, uma das estratégias que garantiu seu êxito no processo seletivo foi reunir um grupo com mais cinco colegas da área para simular entrevistas de emprego em inglês, e ajudar uns aos outros na preparação.

“Hoje, desse grupo que estava praticando nas entrevistas, a grande maioria está trabalhando em alguma empresa fora do Brasil. Tem gente que está trabalhando no Google, outro está trabalhando no Facebook, eu, que estou no Spotify. Então, deu certo.” – David Lino

Dicas de David Lino para trabalhar no exterior:

  • Focar no aprendizado do inglês desde cedo, especialmente para pessoas que querem seguir carreira na área de tecnologia
  • Participar de comunidades online e projetos internacionais de programação em código aberto para ganhar experiência e estabelecer contatos com pessoas de outros países, que podem dar recomendação para futuras vagas
  • Manter um portifólio online com o código dos projetos já realizados disponíveis
  • Pesquisar e treinar para as etapas dos processos seletivos para saber o que os empregadores esperam dos candidatos

Fora dos grandes centros

Sair de sua cidade natal para trabalhar era dado como pressuposto por David quando ele escolheu uma carreira em ciência da computação. “Infelizmente, o mercado para desenvolvimento em Campina Grande não é muito bom”, disse ele, em entrevista ao G1. “Então, uma coisa era certa: eu ia ter que sair de lá para trabalhar em algum canto.”

Por isso, quando terminou a gradução, em 2011, ele emendou um mestrado seis meses depois, e se formou em 2013. Para se especializar, Lino escolheu estudar justamente a área na qual trabalha no Spotify: os sistemas distribuídos.

Aos leigos, ele explica que, atualmente, muitos serviços como o Spotify atuam numa escala com milhões de usuários e por isso, a computação é feita por meio de vários sistemas que se interligam – por exemplo, um para a autenticação do usuário e outro para o serviço de pagamento. A função dele, então, é cuidar da comunicação entre todos eles.

Ofertas recusadas

A capacitação do paraibano lhe rendeu ofertas de emprego em São Paulo, Recife e Porto Alegre, mas ele recusou todas. “Nenhuma oferta era o que eu estava procurando”, conta ele, que acabou optando por um trabalho remoto para uma empresa nos Estados Unidos, enquanto se preparava para o emprego dos sonhos.

Todas as semanas, ele se juntava ao grupo de colegas para que um entrevistasse o outro, sempre em inglês, para que, na hora H, a falta de confiança no idioma não fosse um empecilho.

Ele também começou a enviar seu currículo pelo site de diversas empresas e, como conhecia um brasileiro, também formado pela UFCG, trabalhando no Spotify, conseguiu ser indicado para uma vaga lá. Lino passou por várias etapas do processo: na primeira, precisou escrever um código para demonstrar seus conhecimentos. Depois, passou por uma entrevista “cultural”, onde os empregadores tentam conhecer mais sobre a pessoa. A fase seguinte foi de entrevistas técnicas.

Por fim, ele chegou a ir até a Suécia, com tudo pago pelo Spotify, para fazer uma série de entrevistas presenciais em novembro de 2013. No início do ano seguinte, foi convidado a ocupar a vaga.

“Em empresas desse nível, menos de 20% das pessoas conseguem oferta no final [do processo].”

Porém, ele decidiu aceitar outro emprego, nos Estados Unidos, depois de enviar seu currículo pela internet, passar pelo contato com o recrutador e três entrevistas. Mas como a janela de tempo para dar entrada no visto de trabalho para os Estados Unidos já havia acabado, meses depois Lino decidiu buscar o Spotify novamente. Como a vaga ainda estava aberta, ele foi contratado e iniciou o processo de obtenção do visto.

Expansão

Ele vive em Estocolmo com a esposa brasileira desde setembro de 2014, que, como tem graduação e fala inglês, logo conseguiu um emprego como gerente de projetos de software em outra empresa.

Para isso, a empresa precisou expandir também o número de funcionários. “Quando entrei tinha cerca de 500 pessoas, hoje triplicou”, estima Lino. “Meu time foi de 15 para 100 pessoas.”

O desenvolvedor diz, inclusive, que ainda hoje a vaga para um perfil como o dele ainda deve estar aberta, devido à alta demanda.

Vida na Suécia

O desafio profissional de trabalhar em uma empresa desse porte e abrangência mundial não ficou eclipsado pela tarefa de se adaptar ao clima e à cultura suecos. “De onde venho acho que nunca ficou abaixo dos 10 graus, e aqui no verão não passa de 25 graus”, compara o campinense.

O clima também afeta diretamente o número de horas de sol. Em dezembro, ele diz que o dia nasce por volta das 8h30 e o sol se põe às 15h30. Mas, no verão, ele nasce às 3h e só desaparece no horizonte à meia-noite. “O dia todo em junho está claro.”

Para ajudar na adaptação, o Spotify oferece aos funcionários aulas gratuitas de sueco e uma consultoria para fazer o imposto de renda pela primeira vez – um dos únicos serviços ou interações governamentais, segundo Lino, que não têm opção em inglês.

A língua, porém, ainda é difícil, diz ele. “Eu consigo ir ao restaurante e falar sueco com o garçom, se ele não fugir muito do script.”

Prós e contras

O casal ainda não tem planos de sair da Suécia, e o desenvolvedor pesa os prós e contras para decidir ficar por lá. A maior desvantagem é a distância da família. “A gente vai uma vez por ano”, diz ele, que passou o Natal longe dos parentes. “O Natal em geral é o [período] mais caro. Esse ano a gente foi na Páscoa”, contou Lino.

Quando pisa em território brasileiro, ele diz que uma das coisas que mais gosta de fazer é comer churrasco, já que, na Suécia, a carne é cara e o casal costuma comer mais peixe, porco e frango.

Apesar da saudade da família e da cultura do Brasil, ambos aproveitam a vida “boa e tranquila” que levam na Escandinávia, onde um dos maiores benefícios é viver em uma sociedade onde um caixa de supermercado e um médico não têm uma diferença tão gritante no salário. Já ao racismo a sociedade sueca não está imune, conta Lino, apesar de ele classificar o problema como “isolado”.

Lino afirma que, se tivesse ficado no Brasil, não teria tido a oportunidade de atuar na área que queria seguir na carreira.

“É possível, mas na época eu não conhecia muitas boas empresas. Eu queria trabalhar em empresas que possuem um produto, e no Brasil existem mais empresas de consultoria, que fazem sistemas para outras empresas e não para o público.” – David Lino, desenvolvedor do Spotify

Ele também acredita que não teria a mesma qualidade de vida se tivesse ficado no país. “O equilíbrio entre trabalho e vida fora do trabalho é bem difícil de encontrar no Brasil, independentemente de onde você mora.”

fonte: https://g1.globo.com/educacao/guia-de-carreiras/noticia/2019/01/29/brasileiro-e-contratado-pelo-spotify-na-suecia-apos-simular-entrevista-de-emprego-com-colegas.ghtml

15jun/21

Revolução digital deixa cinco profissões à beira da extinção, diz estudo

Instituto Sapiens baseou os dados em serviço de estudos estatísticos do ministério do Trabalho da França, que concluiu que empregos em bancos, cujo o número caiu 40% entre 1986 e 2016, poderiam desaparecer totalmente em 2050.

Um estudo do Instituto Sapiens revelou que cinco profissões correm risco de extinção. Para alguns, esses dados são angustiantes. Para outros, fonte de inspiração. A revolução digital está transformando o mundo do trabalho e as mudanças parecem estar só começando.

Mais de dois milhões de pessoas “têm uma forte probabilidade de ver seus empregos desaparecem nos próximos anos”, diz o estudo. Profissionais da área de contabilidade, caixas de lojas e supermercados, funcionários de bancos e seguradoras, secretárias e agentes de manutenção verão de perto as transformações ligadas à robotização e à inteligência artificial.

O Instituto Sapiens, que baseou seus dados na DARES – serviço de estudos estatísticos do ministério do Trabalho da França – concluiu, por exemplo, que empregos em bancos, cujo o número caiu 40% entre 1986 e 2016, poderiam desaparecer totalmente em 2050. Seis anos antes do que o previsto para os contadores, que devem ser extintos em 2056.

Apesar dos dados alarmantes, Erwann Tison, economista e diretor do instituto, afirma que a intenção não é assustar a sociedade, mas fazer com que as atitudes para enfrentar essas novas situações sejam tomadas.

“As consequências da revolução digital são reais e precisam ser levadas a sério desde já. Se não fizermos isso, não conseguiremos antecipar as mudanças que já estão acontecendo. Isso pode ser um desastre para uma grande parte da população”, afirma o economista.

“Quisemos mostrar que cinco profissões estão à beira da extinção, causada pela chegada de alternativas tecnológicas. É preciso encontrar, de forma coletiva, soluções para poder acompanhar essas pessoas na reconversão profissional”, aconselha Tison.

Os pesquisadores levantaram, em um primeiro momento, os dados dos empregos que podem ser mais facilmente automatizados. Na sequência, compararam com a lista de profissões que mais perderam vagas de emprego. A partir daí, as projeções foram calculadas seguindo duas hipóteses: a linear, mais otimista, e a exponencial, bastante pessimista, já que considera uma tendência acelerada do fechamento de vagas.

Anos difíceis pela frente

Para Gil Giardelli, professor e criador do MBA de Gestão da Mudança e a Transformação Digital para o Conselho Nacional da Indústria Brasileira, os estudos são demasiadamente alarmistas.

“Hoje existe um alarde muito grande das pesquisas em dizer que ‘os empregos vão acabar’, mas na verdade teremos uma sociedade com menos tempo de trabalho por dia, com muitas empresas que já estão adotando semanas com quatro dias de trabalho, jornada de menos horas” – Gil Giardelli, professor e criador do MBA de Gestão da Mudança e a Transformação Digital para o Conselho Nacional da Indústria Brasileira

Mas Giardelli reconhece que os próximos anos serão os mais difíceis, principalmente pelo setor acadêmico não conseguir acompanhar o processo de mudança.

“A gente não está tendo tempo de preparar as pessoas para essa transformação. O mundo acadêmico não consegue preparar as pessoas e por isso acreditamos que esses próximos 30 anos serão tempos bem preocupantes sobre como estaremos vivendo essa nova era”, afirmou.

Cursos ignoram mudanças tecnológicas

Erwann Tison também descreve um cenário parecido na França. O economista critica um dos cursos mais tradicionais por não adotar as principais mudanças tecnológicas em sua grade curricular.

“Se você for hoje em uma universidade de medicina na França, em hora alguma você verá matérias falando da robótica. Nada se diz de como a profissão está sendo transformada pela tecnologia”, afirmou Tison. “Não falar disso é quase um crime, pois hoje há, por exemplo, o Google que criou uma inteligência artificial, que permite fazer diagnósticos de câncer 30 vezes mais assertivos que os humanos. Ou seja, a máquina, em certos aspectos, é muito mais competente que o homem em alguns setores da medicina”, completou.

Tison lembra, no entanto, que a revolução digital cria uma onda de “destruição construtiva”, ou seja, que ao mesmo tempo que profissões desaparecem, outras surgem em dobro, segundo o economista. Ele também lembra que a arte de fazer previsões é complicada, já que nem sempre tendências se confirmam. Mas, por enquanto, as transformações decorrentes do desenvolvimento da inteligência artificial parece estar apenas no começo.

fonte: https://g1.globo.com/educacao/guia-de-carreiras/noticia/2018/08/29/revolucao-digital-deixa-cinco-profissoes-a-beira-da-extincao-diz-estudo.ghtml

15jun/21

Gestão de pessoas: veja perfil dos cursos, o que faz e remuneração

Profissão assumiu uma função estratégica com o passar do tempo. Salários podem passar de R$ 40 mil em cargos de diretoria.

O profissional que se forma em gestão de pessoas pode atuar em diferentes segmentos da área de recursos humanos: gestão, recrutamento e seleção de equipe, treinamento e desenvolvimento de funcionários e administração de benefícios e salários.

“Antes, trabalhar no RH era algo completamente operacional. Hoje, a função é muito mais estratégica. O profissional passa a ser parceiro das áreas de negócio. É ele que vai selecionar todas as pessoas que trabalharão na empresa e, por isso, precisa estar alinhado com os objetivos dela”, explica Ana Stella Bonciani, coordenadora da área de gestão de pessoas do Senac São Paulo.

O setor de recursos humanos é, portanto, considerado estratégico, porque tem como missão:

  • gerenciar os funcionários
  • saber identificar as habilidades
  • estimular maior produtividade
  • garantir a qualidade de vida dos empregados

“É importante definir políticas que ajudem as pessoas a conciliar a vida profissional com a vida pessoal. As doenças que mais afastam os funcionários do trabalho são as psicossociais”, diz Maria Amália Catalan, professora do curso de gestão de pessoas e RH na Anhembi Morumbi (SP).

“Por isso, o RH precisa fazer pesquisas internas, descobrir as queixas da equipe e definir ações de combate ao estresse, por exemplo, como convênios com academia ou um dia de home office. Isso é interessante até mesmo do lado econômico. Uma empresa precisa pagar ao funcionário afastado por burnout (esgotamento mental)”, complementa.

Onde é possível trabalhar?

Qualquer empresa precisa de um setor de recursos humanos que vá cuidar da remuneração e dos benefícios dos funcionários, do treinamento da equipe e do recrutamento do time. Isso independe do porte da companhia.

“Em pequenas empresas ou startups, por exemplo, o gestor de pessoas é contratado como generalista. Como a equipe é pequena, ele vai precisar entender de todas as tarefas do RH”, explica Maria Amália.

“Já em grandes empresas, o espaço maior é para os especialistas. Elas precisam de experts em benefícios, em recrutamento, em políticas de qualidade de vida. O setor de RH é maior e constituído por funcionários que se aprofundem em determinada área”, diz.

É possível também atuar em consultorias externas. São profissionais contratados para tarefas específicas e temporárias em alguma empresa.

Chefes podem preferir, em algum momento, esse tipo de parceria – justamente por poderem ouvir a opinião de profissionais de RH que não tenham os vícios de quem trabalha internamente na empresa.

Profissional de gestão de pessoas e RH tem cada vez mais função estratégica nas empresas.  — Foto: Infográfico: Karina Almeida/G1

Profissional de gestão de pessoas e RH tem cada vez mais função estratégica nas empresas. — Foto: Infográfico: Karina Almeida/G1

O que aprende no curso?

O curso de tecnólogo em gestão de pessoas tem dois anos de graduação. Em geral, tem disciplinas como:https://tpc.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html

  • administração financeira
  • comunicação institucional
  • empreendedorismo
  • ética
  • gestão estratégica de pessoas
  • legislação
  • psicologia
  • segurança do trabalho
  • métodos de contratação e recrutamento

“O estudante sai com uma bagagem bem grande. Se quiser escolher uma área e se especializar nela, precisará se capacitar em cursos de aperfeiçoamento, como os de pós-graduação. Assim, ficará mais preparado para demandas estratégicas de grandes empresas”, explica Ana Stella, do Senac-SP.

Psicologia ou gestão de pessoas para trabalhar em RH?

O profissional formado em psicologia, em geral, tem 5 anos de graduação, nos quais é preparado para atuar em em hospitais, escolas, consultórios e, inclusive, área de recursos humanos de empresas. Os ensinamentos de RH ocupam uma pequena parcela da graduação.

No caso do curso de tecnólogo em gestão de pessoas, o foco é somente este: formar um profissional que trabalhe com recursos humanos. A graduação é mais rápida (dois anos) e especializada nessa área.

“No curso de psicologia, não há um foco em aprender sobre as ferramentas de gestão ou de seleção de funcionários, por exemplo”, explica Ana Stella.

Assim, a psicologia abre um leque maior de possibilidades e é um curso mais longo. O psicólogo que quiser se aprofundar em RH pode fazer uma pós-graduação ou um curso de especialização.

Já no caso do tecnólogo, são dois anos totalmente focados em recursos humanos – o que proporciona uma formação mais específica na área de trabalho. Cabe ao candidato analisar as vantagens e desvantagens de cada uma das opções.

Qual a média salarial?

Segundo a professora Maria Amália, da Anhembi Morumbi, um profissional em começo de carreira, que trabalhe como analista de RH pode ganhar a partir de R$ 2 mil.

Quando promovido a analista sênior, a remuneração pode chegar a R$ 7 mil, dependendo do porte da empresa.https://tpc.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html

Depois, o funcionário pode se tornar supervisor pode ganhar cerca de R$ 9 mil.

“Um gerente de RH costuma ter um salário igual ao do diretor comercial, chegando a R$ 30 mil ou R$ 40 mil”, explica a docente.

De acordo com o guia salarial da Robert Half, os salários em 2018 eram em média, de:

Analista de RH

  • Empresas pequenas/médias – R$ 4,8 mil a R$ 7 mil
  • Empresas grandes – R$6 mil a R$ 9,1 mil

Coordenador/especialista de RH

  • Empresas pequenas/médias – R$ 7,2 mil a R$ 10,5 mil
  • Empresas grandes – R$ 10 mil a R$ 13,5 mil

Gerente de RH

  • Empresas pequenas/médias – R$ 11 mil a R$ 18 mil
  • Empresas grandes – R$ 13,5 mil a R$ 28 mil

Diretor de RH

  • Empresas pequenas/médias – R$ 21 mil a R$ 35 mil
  • Empresas grandes – R$ 26 mil a R$ 52 mil

Qual perfil para se dar bem na área?

Para Ana Stella, do Senac-SP, as principais características para atuar na área são:

  • visão humanizada do trabalho e sensibilidade, para saber ouvir as queixas e os problemas das equipes;
  • perfil comunicativo, já que o profissional vai ser procurado pelos funcionários para tirar dúvidas, por exemplo;
  • olhar atento para o mercado e capacidade de inovar;
  • interesse por tecnologia, visto que a profissão envolve contato com sistemas automatizados para controle de folha de pagamento;
  • habilidade em motivar pessoas, mesmo em momentos de crise.

fonte: https://g1.globo.com/educacao/guia-de-carreiras/noticia/2019/01/14/o-que-faz-e-quanto-ganha-o-profissional-formado-em-gestao-de-pessoas-e-rh.ghtml

15jun/21

Guia de carreiras: está em dúvida de qual profissão seguir? Veja opções

Especialistas de diversas áreas do mercado fazem raio-x das graduações mais procuradas.

A hora de escolher uma carreira no fim do ensino médio é um desafio. Segundo o Censo da Educação Superior, realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Estatísticas Anísio Teixeira (Inep), entre 2007 e 2017, a matrícula na educação superior aumentou 56,4%.

Atualmente, são cerca de 324 carreiras de nível superior oferecidas no Brasil. Para ajudar na hora de escolher qual carreira seguir, o G1 preparou uma série de reportagens sobre algumas das áreas mais procuradas:

GUIA DE CARREIRAS

fonte: https://g1.globo.com/educacao/guia-de-carreiras/noticia/2019/01/16/guia-de-carreiras-esta-em-duvida-de-qual-profissao-seguir-veja-opcoes.ghtml

15jun/21

Como as pessoas mais ocupadas conseguem se manter produtivas no trabalho

Para alguns indivíduos, encontrar um tempo para trabalhar sem interrupções pode parecer algo totalmente irreal — mas há métodos para otimizar nosso dia a dia.

Assim como muitos pais, quando as escolas fecharam devido à pandemia da Covid-19, Elizabeth Hunter se viu com mais responsabilidades na criação dos três filhos, que passaram a ter aulas 100% remotas.

Mas seu volume de trabalho também aumentou.

Como cofundadora da STEMTaught, fundação que oferece planos de estudo de ciências sob medida, a cientista que mora na Califórnia teve que descobrir como seu programa poderia permanecer ativo em um ambiente virtual, assim como trabalhar em diversos fusos horários com autores e editoras para lançar novas edições de material didático mais rápido.

Conciliar essa carga de trabalho maior — que incluía questões logísticas, como montar e enviar kits de aprendizagem e agendar sessões de laboratório online com os alunos — com a educação dos filhos deixava poucas brechas de silêncio nas quais ela pudesse realmente se concentrar.

Hunter começou então a botar todo mundo para dormir cedo e a trabalhar até tarde da noite para conseguir algum momento de paz para desenvolver o trabalho criativo de preparar os planos de estudo, enquanto lidava com as tarefas mais práticas durante o dia.

“Estabeleci uma regra para mim. Se as crianças estão dormindo e não é muito tarde, em vez de lavar a louça ou fazer o trabalho doméstico, estou trabalhando. Prezo esses períodos de tempo como diamantes — são muito preciosos para eu ser capaz de fazer meu trabalho de reflexão profunda”, diz ela.

É um desafio que muitos de nós enfrentamos: estamos mais ocupados do que nunca, mas ainda precisamos de períodos sem interrupções para realizar o trabalho que exige nosso foco mais profundo.

Teorias populares sugerem que nosso trabalho mais valioso só acontece depois que nos livramos das nossas distrações — que aliviar a desordem da mente nos induz a um estado de fluxo, um paraíso idílico de produtividade em que a criatividade prospera.

Antes da Covid-19, podíamos usar as horas dedicadas no escritório ou os horários de pico naturalmente produtivos quando as crianças estavam na escola para tentar acessar essa ‘zona’ e executar tarefas que exigem bastante concentração.

Agora, acessar esse tipo de zona de trabalho profunda pode parecer quase impossível. Se você está ocupado com várias tarefas, encontrar uma boa quantidade de tempo sem interrupção para produtividade pode ser algo totalmente irreal.

Felizmente, há métodos para otimizar o tempo limitado de ‘trabalho profundo’ que temos, planejar as interrupções e produzir um trabalho significativo, apesar das demandas que competem por nossa atenção.

Separar as tarefas

Elizabeth Hunter (à direita) utiliza os períodos de silêncio enquanto sua família está dormindo para fazer seu trabalho focado — Foto: ARQUIVO PESSOAL

Há várias recomendações para a criação de um ambiente que vai te ajudar a produzir seu melhor trabalho.

Cal Newport, autor de “Deep Work: Rules for Focused Success in a Distracted World”, sugere que a maioria das distrações são estímulos externos “controláveis” que podem ser eliminados por grandes gestos, como fazer check-in em um quarto de hotel para trabalhar ou abandonar as redes sociais.

O popular aplicativo de produtividade Trello recomenda encontrar um lugar sem pessoas em sua visão periférica e investir em fones de ouvido com cancelamento de ruído.

Steven Kotler, diretor-executivo do Flow Research Collective, uma organização de pesquisa e treinamento, recomenda adotar blocos de foco ininterrupto de 90 a 120 minutos para maximizar o fluxo.

No entanto, muitas dessas sugestões são incompatíveis com nossas realidades atuais; para a maioria das pessoas ocupadas, a criatividade e a produtividade não podem existir como processos isolados que ocorrem em janelas dedicadas e impenetráveis.

“Somos obcecados pela ideia de um artista solitário trabalhando loucamente com inspiração quase divina”, diz a artista contemporânea paquistanesa Mahreen Zuberi, mãe de dois filhos.

Mas em sua prática criativa, Zuberi separa seu tempo de pensar e executar, com a maior parte conceitual de sua arte concluída de manhã cedo, antes dos filhos acordarem.

Ela divide a execução em pequenos períodos de tempo ao longo do dia porque sabe que atenção e foco são bens preciosos que devem ser racionados com sabedoria, e é muito mais fácil encarar o trabalho em pedaços menores e retomar o processo de implementação de onde parou.

Separar diferentes aspectos da mesma tarefa, como Zuberi, faz sentido.

Para alguns indivíduos, encontrar um tempo para trabalhar sem interrupções pode parecer algo totalmente irreal — Foto: ALAMY

Muita gente usa o horário não-comercial para priorizar tarefas difíceis ou projetos especiais — mas tentar encaixar tudo durante as primeiras horas do dia ou no fim da noite pode ser insustentável, uma vez que a falta de sono pode prejudicar a produtividade (e as crianças podem acordar cedo, de qualquer maneira).

Trabalhar nesse esquema consistentemente para todos os aspectos de uma tarefa também reforça a mentalidade de que há um ‘espaço’ para a produtividade, sem a possibilidade de sobreposições saudáveis ​​com outras responsabilidades durante o dia.

Além disso, como o padrão de trabalho de Zuberi mostra, nem todas as partes de uma tarefa requerem o mesmo tipo de foco.

Ao determinar quais partes de uma tarefa exigem suas horas mais produtivas, ela as aloca em horários em que é mais provável que não seja interrompida, o que dá a ela uma probabilidade maior de êxito.

Aquecimento

Uma vez que você encontra um período precioso de tempo para alocar um trabalho altamente focado, Sophie Leroy, professora de administração da Universidade de Washington Bothell, nos Estados Unidos, sugere que se preparar de antemão para esse intervalo de tempo pode ajudar a encontrar seu foco mais rápido.

“Identifique a tarefa mais importante na noite anterior. Ao fazer a transição das responsabilidades não relacionadas ao trabalho na manhã seguinte, lembre a si mesmo no que você estará trabalhando quando se sentar”, diz Leroy.

“É como dirigir um carro. Você pode acelerar aos poucos até 100 km/h ou ir de 0 a 100 muito rápido. “

Reservar um tempo metaforicamente para aquecer o motor e partir com um claro senso de direção oferece recompensas, ao contrário de se jogar e tentar descobrir tudo ao longo do caminho.

Nausheen Shahzad, diretora-executiva do Centro de Neuropsicologia em Karachi, no Paquistão, uma clínica privada especializada em psicologia educacional e treinamento, compara o “aquecimento” a uma professora primária que inicia a aula pedindo ao alunos que cantem o abecedário.

“O objetivo do aprendizado não é repassar o alfabeto. É recuperar aquele arquivo no cérebro relacionado à linguagem para que eles possam ser mais receptivos ao aprendizado”, explica.

Para alguns, as interrupções são parte da vida — portanto, aprender a antecipá-las pode ajudar — Foto: ALAMY

Essa ‘ativação cerebral’ também pode ser aplicável a adultos ocupados.

“Digamos que você queira escrever uma ode às flores. Você pode começar a pensar nisso enquanto está lavando a louça”, ressalta Shahzad.

Clarear nossas mentes também nos ajuda a acessar a concentração profunda.

Por isso, se as preocupações ou pensamentos perdidos persistirem, a neurocientista computacional Grace Lindsay, da University College London (UCL), no Reino Unido, recomenda fazer um rápido ‘brain-dump’ — algo tão simples quanto escrever em um bloco de notas ou até mesmo enviar um e-mail para si mesmo sobre tudo que está em sua mente.

“Sabemos que não podemos manter muitas coisas em nossa mente ao mesmo tempo. Enquanto você está se concentrando em um trabalho profundo, minimize o número de coisas em sua mente. Não se conecte a todo o resto”, sugere Lindsay, que também é autora do livro Models of the Mind.

Plano de interrupções

É claro que encontrar brechas para blocos ininterruptos de trabalho pode não coincidir com a hora do dia em que nos sentimos mais naturalmente produtivos, de acordo com nossos ritmos circadianos individuais.

Isso significa que temos que tentar adaptar nosso ritmo natural ou começar uma tarefa difícil em um horário em que as interrupções são inevitáveis.

Leroy, que estuda os impactos cognitivos e emocionais das interrupções, diz que uma estratégia é aceitar que as interrupções vão acontecer e, assim, reduzir sua capacidade de nos tirar do eixo.

“Frustração, raiva, estresse e ansiedade são as respostas emocionais usuais a uma interrupção, e essas emoções negativas podem facilmente transbordar e dificultar o foco após uma interrupção, impedindo o progresso.”

“Ao aceitar [o fato de que as interrupções podem ocorrer] como nosso paradigma, nós atenuamos a probabilidade dessas emoções negativas ocorrerem. Nunca será algo do tipo: ‘Oba! Fui interrompida’, mas é uma abordagem muito pragmática “, diz ela.

Leroy também desenvolveu e testou a intervenção ‘Ready to Resume’ (“pronto para retomar”, em tradução literal) para lidar com a realidade das interrupções.

A ideia, segundo ela, é “dar ao seu cérebro o que ele precisa para funcionar com eficácia em um contexto de interrupções frequentes”.

Quando se senta para trabalhar, ela deixa uma folha de papel sobre a mesa, justamente com potenciais interrupções em mente, para fazer um balanço rápido de onde estava na tarefa, e como espera retomar, antes de lidar com a interrupção.

Ao testar a eficácia da abordagem em laboratório, Leroy descobriu que as pessoas demoravam muito pouco tempo — um minuto, ou até cinco segundos — para alcançar o fechamento cognitivo e desviar totalmente a atenção.

Isso ajudou a evitar resíduos de atenção, uma divisão inútil de recursos cognitivos que ocorre quando os pensamentos relativos a uma tarefa anterior persistem e se intrometem na próxima.

Tempos estranhos

Vale a pena lembrar, no entanto, que embora seja possível extrair mais ‘diamantes’ do precioso tempo de trabalho profundo — e até mesmo usá-lo de forma mais eficaz —, em última análise, estes são tempos estranhos.

A produtividade e o trabalho profundo podem ser muito diferentes dependendo da pessoa, profissão, posição, parte da tarefa em si — ou em uma pandemia. E, às vezes, pode não parecer muito glamouroso.

O truque é mudar nossas expectativas sobre como pode ser nosso dia de trabalho e perceber que a produtividade e a criatividade não são processos padronizados.

Porque, independentemente de como caminhamos rumo ao sucesso, todos nós podemos alcançar nossa própria versão do estado de desempenho ideal, mesmo quando estamos ocupados.

Como diz Lindsay, “é incrivelmente diferente de pessoa para pessoa. Essa ideia de que você tem que encontrar a solução e que existe uma e é para sempre (…) nem sempre se alinha com a experiência de todos. Há muitas maneiras de ser bem-sucedido.”

fonte: https://g1.globo.com/economia/concursos-e-emprego/noticia/2021/06/13/como-as-pessoas-mais-ocupadas-conseguem-se-manter-produtivas-no-trabalho.ghtml

15jun/21

Como trabalhar demais está nos matando (literalmente)

Lisa Choi ignorou os primeiros sintomas. Afinal, esta analista de negócios de 53 anos era muito ativa, tinha bom condicionamento físico, costumava andar de bicicleta, era vegetariana e evitava comer porcaria. Estava longe de ser uma típica vítima de ataque cardíaco.

No entanto, Choi, de Seattle, nos Estados Unidos, trabalhava 60 horas por semana, inclusive à noite e nos fins de semana. Tinha que cumprir prazos rígidos e gerenciar projetos digitais complexos.

Essa carga de trabalho era completamente normal para ela.

“Tenho um trabalho muito estressante… geralmente boto o pé no acelerador”, diz.

Só alguns meses atrás, quando começou a sentir de repente uma forte pressão no peito, que ela passou a levar os sintomas mais a sério. No hospital, descobriram que ele tinha uma ruptura em uma artéria.

Este é um um sinal característico da dissecção espontânea da artéria coronária, uma doença cardíaca relativamente rara que afeta principalmente mulheres e pessoas com menos de 50 anos.

Quando disseram que ela precisaria se submeter a uma angioplastia para abrir a artéria, Choi pensou: “Não tenho tempo para isso. Tenho transferências programadas no trabalho e estou fazendo todo tipo de coisa”.

Assim como Choi, muitas pessoas também sofrem uma deterioração da saúde devido ao ritmo intenso de trabalho. Uma nova pesquisa — descrita como o primeiro estudo a quantificar o impacto das longas jornadas de trabalho na saúde — mostrou como a situação é desoladora.

Em artigo publicado no dia 17 de maio, os autores, de instituições como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização Internacional do Trabalho (OIT), afirmam que, a cada ano, 750 mil pessoas morrem de doenças cardíacas isquêmicas e derrame, devido às longas jornadas de trabalho. (A isquemia cardíaca, também conhecida como doença arterial coronariana, envolve o estreitamento das artérias. O que Choi teve é diferente da isquemia cardíaca comum, mas o estresse e a hipertensão são fatores de risco para ambos).

Em outras palavras, mais gente morre de excesso de trabalho do que de malária. Esta é uma crise global, que requer a atenção tanto de funcionários, quanto de empresas e governos. E se não resolvermos isso, o problema pode não apenas continuar, mas piorar.

Como o excesso de trabalho afeta a saúde

No estudo, publicado na revista científica Environment International, os pesquisadores analisaram sistematicamente dados de longas jornadas de trabalho, definidas como 55 horas ou mais por semana; seus impactos na saúde; e as taxas de mortalidade na maioria dos países, entre 2000 e 2016. Os autores controlaram fatores como gênero e nível socioeconômico, para extrair os efeitos genuínos do excesso de trabalho na saúde.

O estudo constatou que o excesso de trabalho é o maior fator de risco para doenças ocupacionais, sendo responsável por cerca de um terço da carga total de doenças relacionadas ao trabalho.

“Eu, pessoalmente, como epidemiologista, fiquei extremamente surpreso quando calculamos esses números”, diz Frank Pega, especialista técnico da OMS e principal autor do artigo.

“Fiquei extremamente surpreso com o tamanho do fardo.”

Ele descreve os resultados como moderados, embora clinicamente significativos.

Há duas maneiras principais pelas quais o excesso de trabalho pode reduzir a saúde e a longevidade. Uma delas é o impacto biológico do estresse crônico, com um aumento nos hormônios do estresse, levando à pressão arterial e colesterol elevados.

Em seguida, vêm as mudanças de comportamento. Essas longas jornadas podem significar dormir pouco, não se exercitar muito, consumir alimentos que não são saudáveis ​​e fumar e beber para lidar com a situação.

E há motivos específicos para nos preocuparmos com o excesso de trabalho, tanto durante a pandemia de covid-19 quanto na vida que teremos depois. A pandemia intensificou algumas tensões laborais, criando novas formas de esgotamento no ambiente de trabalho.

A Índia se tornou o epicentro da pandemia global, com mais de 25 milhões de casos de covid-19. Mas a pandemia também está afetando a saúde de outras formas.

Sevith Rao, médico e fundador da Associação Indiana do Coração, explica que as pessoas no sul da Ásia já apresentam alto risco de doença coronariana. Agora, “com a pandemia de covid-19, vimos um aumento do home office, o que obscureceu o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal para muitos indivíduos, levando a alterações nos padrões de sono e exercícios; isso, por sua vez, aumenta o risco de doenças cardiovasculares e derrame”.

Além disso, a pandemia resultou na pior crise econômica desde a Grande Depressão. E as recessões anteriores foram, na verdade, seguidas por jornadas de trabalho mais longas.

“Parece quase um efeito perverso”, reconhece Pega, dado o desemprego generalizado durante uma recessão.

Mas “a realidade parece ser que as pessoas que continuam empregadas precisam trabalhar mais para compensar as perdas de postos de trabalho”.

Focos de excesso de trabalho

De acordo com os dados do artigo, 9% da população mundial — número que inclui crianças — têm longas jornadas de trabalho. E, desde 2000, o número de pessoas que trabalham em excesso vem aumentando.

O excesso de trabalho afeta diferentes grupos de trabalhadores de maneiras distintas.

Os homens trabalham mais horas do que as mulheres em todas as faixas etárias. O excesso de trabalho atinge seu pico no início da meia-idade, embora os efeitos sobre a saúde possam se manifestar mais tarde. (Os autores do estudo usaram um período de 10 anos de intervalo em relação ao aparecimento das doenças para rastrear os efeitos do excesso de trabalho; afinal, a “morte por excesso de trabalho” não acontece da noite para o dia.)

Os dados também mostram que as pessoas no sudeste asiático parecem ter as jornadas mais longas; e na Europa, as mais curtas.

Pega explica que pode haver razões culturais para que uma proporção maior de pessoas na Ásia trabalhe mais horas. Além disso, muita gente trabalha no setor informal em países asiáticos de baixa e média renda.

“As pessoas na economia informal podem ter que trabalhar mais horas para sobreviver, podem ter vários empregos, podem não estar amparadas pelas leis de proteção social”, diz Pega.

Por outro lado, muitos europeus desfrutam de uma cultura de trabalho que preza por longas férias e períodos significativos de descanso. Essa atitude mais relaxada está consagrada na lei; por exemplo, a diretiva trabalhista da União Europeia proíbe os funcionários de trabalhar mais de 48 horas em média por semana.

Mas mesmo em alguns países europeus, especialmente fora da França e dos países escandinavos, tem havido uma proporção crescente de trabalhadores altamente qualificados trabalhando longas jornadas desde 1990 (após o auge do sindicalismo e das proteções relacionadas aos empregados).

De forma sintomática, o ministro da saúde da Áustria renunciou ao cargo em abril, dizendo que havia desenvolvido pressão alta e altos níveis de açúcar no sangue devido ao excesso de trabalho durante a pandemia. Seu anúncio público foi incomum, não apenas por causa de sua posição de destaque, mas também porque ele foi realmente capaz de deixar seu extenuante trabalho.

De volta a Seattle, Choi também teve sorte, já que seus colegas apoiaram sua necessidade de diminuir o ritmo no trabalho.

Mas, como nem todo mundo pode se dar ao luxo de trabalhar em horários mais equilibrados e nem todo mundo vai receber um alerta antes de ter um derrame ou ataque cardíaco fatal, há uma necessidade urgente de enfrentar esta crise de saúde.

Combatendo o excesso de trabalho

Se a tendência continuar na mesma direção, o excesso de trabalho — e os danos à saúde associados — só vão aumentar.

Isso é especialmente preocupante, visto como as sociedades glorificam o excesso de trabalho ao ponto do esgotamento. E, à medida que nossa jornada de trabalho aumenta, com poucos sinais de desaceleração, também vai aumentar o número de pessoas que sofrem por dedicar horas demais à jornada laboral.

A responsabilidade de interromper esse ciclo recai sobre os empregadores e funcionários de alguma forma, e todos terão que trabalhar juntos para conter o excesso de trabalho e os problemas subsequentes atrelados a ele.

Em geral, Pega recomenda que os locais de trabalho adotem jornadas flexíveis, divisão de trabalho e outras maneiras de equilibrar melhor os horários. Também devem levar a sério os serviços de saúde ocupacional.

“Nós, da Associação Indiana do Coração, acreditamos que mais educação e mais exames de rotina são essenciais para prevenir doenças cardiovasculares e derrame”, diz Rao.

Obviamente, também há um papel que os trabalhadores individuais podem desempenhar na reformulação de suas atitudes em relação ao trabalho: todos nós podemos tentar resistir ao impulso do excesso de trabalho que nos mantém grudados em nossos telefones até tarde da noite.

E quanto mais rápido os trabalhadores fizerem isso, melhor. Como o excesso de trabalho é um risco que se acumula ao longo dos anos, evitar que se torne crônico poderia reduzir a gravidade dos piores riscos para a saúde (embora não haja evidências suficientes de quando o risco deixa de ser de curto prazo e passa a ser crônico).

Mas as mudanças mais radicais devem ocorrer a nível governamental.

“Já temos as soluções. Temos que instituir limites ao número máximo de horas que deveríamos trabalhar”, diz Pega, como no caso da diretiva trabalhista europeia ou de outras leis sobre o direito de se desconectar.

Em países com leis fortes de limitação do trabalho, o segredo é fazer cumprir e monitorar essas leis. E em países com redes mais fracas de proteção social, medidas de combate à pobreza e programas de bem-estar social podem reduzir o número de pessoas que estão se matando de trabalhar por pura necessidade.

Em última análise, o problema do excesso de trabalho — e todos os males que ele gera — vai continuar se não fizermos mudanças em nossas vidas profissionais. E mudar não é impossível.

“Podemos fazer alguma coisa”, insiste Pega.

“Isso vale para todos.”

fonte: https://g1.globo.com/bemestar/viva-voce/noticia/2021/06/14/como-trabalhar-demais-esta-nos-matando-literalmente.ghtml

15jun/21

25 capitais já vacinam pessoas fora dos grupos prioritários contra Covid por idade

São Luís imuniza a partir dos 28 anos nesta segunda-feira (14). Palmas e Porto Velho são as únicas a seguirem na imunização dos grupos prioritários, entre eles idosos com 60 anos ou mais.

A vacinação contra a Covid-19 de pessoas sem comorbidades e que têm menos de 60 anos ocorre em 25 das 27 capitais brasileiras segundo um levantamento feito pelo G1 nesta segunda-feira (14).

Apenas Palmas e Porto Velho ainda não começaram a imunização de pessoas que estão fora dos grupos de risco e têm menos de 60 anos. O G1 questionou as prefeituras e aguarda posicionamento.

São Luís é a capital que vacina a faixa etária mais jovem: pessoas com 28 anos ou mais podem ser imunizadas na cidade a partir desta segunda-feira (14), segundo a prefeitura. As pessoas com 60 anos ou mais representam 11,5% da população maranhense, ante 15% da média nacional.

O Ministério da Saúde liberou a vacinação de pessoas sem comorbidade no início de maio e definiu que ela deverá ocorrer em ordem decrescente de idade, ou seja: primeiro as mais velhas, depois as mais novas.https://datawrapper.dwcdn.net/9IDeq/1/https://abb261c35a087a5215d86adb7b91d7cc.safeframe.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html

Em alguns locais, como em Fernando de Noronha (PE), a vacinação já alcançou as pessoas de 18 anos – idade mínima para ser imunizado contra a Covid no Brasil.

Veja, abaixo, a partir de qual idade as pessoas sem comorbidades estão sendo imunizadas em cada capital.

Veja a situação no país na lista abaixo:

Vacinação por idade nas capitais

UF CAPITAL IDADE POPULAÇÃO 60+
AC Rio Branco 59+ 11,8%
AL Maceió 52+ 16,3%
AM Manaus 40+ 9,1%
AP Macapá 49+ 9,3%
BA Salvador 50+ 17%
CE Fortaleza 41+ 16,1%
DF Brasília 50+ 13,1%
ES Vitória 45+ 20,6%
GO Goiânia 52+ 14,7%
MA São Luís 28+ 11,5%
MG Belo Horizonte 56+ 18,2%
MS Campo Grande 50+ 14,1%
MT Cuiabá 55+ 13,3%
PA Belém 57+ 16,8%
PB João Pessoa 50+ 15,8%
PE Recife 43+ 17,6%
PI Teresina 52+ 16,1%
PR Curitiba 55+ 17,4%
RJ Rio de Janeiro 53+ 22%
RN Natal 53+ 17%
RO Porto Velho 60+ 11,7%
RR Boa Vista 58+ 6,7%
RS Porto Alegre 54+ 21,9%
SC Florianópolis 52+ 15,7%
SE Aracaju 52+ 14,5%
SP São Paulo 58+ 17,8%
TO Palmas 60+ 7,4%

Fonte: G1.

fonte: https://g1.globo.com/bemestar/vacina/noticia/2021/06/14/vacinacao-covid-capitais-brasil-idade-1.ghtml